Informações sobre o Cancro da Mama

O Cancro da mama é a forma de cancro mais comum nas mulheres dos países desenvolvidos, constituindo cerca de 18% de todos os cancros que afectam a mulher.
Em Portugal são diagnosticados anualmente cerca de 4.500 novos casos.

Em cada 8/10 mulheres, uma vai desenvolver Cancro durante a sua vida.

A incidência aumenta com a idade e 50% dos casos ocorrem entre os 50 e 64 anos.

É também mais agressivo para as mulheres jovens.

Além da idade, que é o maior factor de risco, outros factores também influenciam o risco de desenvolver cancro da mama.

Na História Familiar o risco de cancro da mama está aumentado 2 –3 vezes numa mulher descendente em 1º grau e também está aumentado mas em menor extensão nas mulheres descendentes em 2º grau.
Cerca de 10% dos cancros da mama são atribuídos à história familiar e metade destes podem ser atribuídos a específicos genes BRCA 1 e BRCA 2.
O conhecimento destes genes é ainda incompleto. Mas acredita-se que algumas mutações possam resultar numa inapropriada proliferação celular.

Também existe risco aumentado nas mulheres pertencentes a classes socio-económicas mais elevadas assim como nas residentes em áreas urbanas.

Uma mulher que tenha tido cancro da mama tem também risco aumentado de ter cancro na outra mama.

O risco de cancro está aumentado nas mulheres que tiveram a menarca antes dos 11 e a menopausa depois dos 55 anos.

As mulheres que tiveram a 1ª gravidez antes dos 25 anos tem metade do risco de desenvolverem cancro que aquelas que a tiveram depois dos 30 anos.

A obesidade está associada com aumento de risco de cancro nas mulheres postmenopaúsicas.
O elevado consumo de gorduras animais também parece estar ligado a aumento de risco.

Não há evidência de aumento de risco no controle da natalidade com a tomada de modernos contraceptivos orais.

Também a Terapêutica Hormonal de Substituição após a menopausa tem muito baixo risco de cancro e deve ser avaliada em termos de saúde com os benefícios em termos de prevenção da osteoporose.

O Cancro da mama é uma doença enigmática ; é quase imprevisível saber qual a mulher que vai desenvolver cancro durante a sua vida.

Pensa-se que o cancro é o resultado da acção complexa dos ciclos hormonais a que o tecido mamário é exposto. Hormonas sexuais , factores de crescimento e outros agentes podem inflenciar o crescimento e a função da glândula - regulação genética de proliferação e regressão celular. Pequenos defeitos depois de cada ciclo menstrual podem levar a uma desregulação e por em marcha o processo de doença, havendo contudo uma relação dinâmica - tumor/hospedeiro. É portanto agora compreendida como uma doença sistémica.

A maioria dos cancros origina-se no epitélio dos ductos e lóbulos terminais.

Se ainda não ultrapassaram a membrana basal são considerados “carcinomas in situ “ e a maioria das vezes são lesões infraclínicas e apenas detectados nas mamografias de rastreio - CID (carc. Intraductal) e CIL (carc. Intralobular).

Se têm potencial invasivo invadem os tecidos vizinhos e manifestam-se a maioria das vezes como nódulos duros – CDI (carc. Ductal invasivo - 90%) e CLI (carc. Lobular invasivo 8%; são multifocais e podem ocorrer em ambas as mamas simultaneamente)
Há portanto principalmente 4 tipos.

Histologicamente são classificados em: bem, moderado e mal diferenciados.

A análise patológica das características do tumor, obtida aquando a biópsia (tipo de tumor, grau de diferenciação, determinação dos receptores hormonais e de uma proteína que aparece à superfície da célula - ERB-2), poderá fornecer elementos essenciais para decidir qual a melhor terapêutica a propor à doente.